sábado, 8 de setembro de 2018

A Última Escolhida - Capítulo I


Capítulo I
Convocada à missão

Definitivamente Mohabi não conseguia se acostumar com o Rio de Janeiro. Preferia São Paulo, sua cidade natal, mas as vezes e geralmente por motivos profissionais precisava estar ali.
Dessa vez sairia de férias por quinze dias, e como havia decidido tudo em cima da hora, só conseguiu voos saindo do Rio.
Para não fazer tudo na correria, alugou um flat e um dia antes já estava lá com tudo pronto e organizado. Passaporte, malas, livro na bagagem de mão para ler durante o voo até Paris.

Porém, quando estamos sincronizados com o Universo, até aquilo que julgamos como uma dificuldade ou atraso, na verdade será favorável.

Então sem que ela percebesse ou visse algo, um Ser etéreo ao seu lado a observava e lhe emitia sugestões mentais.
Foi quando ela resolveu tomar um copo de suco, mas ao colocá-lo nos lábios, esse homem com apenas um gesto, fez com que seu copo virasse molhando toda sua roupa.
Ela partiu correndo para o banho, pois teria que se trocar novamente. Isso levaria no mínimo 30 minutos. A situação tornou-se crítica, levando-se em consideração o trânsito sempre complicado daquela cidade louca.
Enquanto isso, o Ser que causou o pequeno imprevisto não parecia satisfeito. Procurava algo pelo quarto. Até que viu em cima de uma pequena mesa um cartão de crédito. Então levantou sua mão direita e abriu um pequeno círculo de energia, que envolveu o cartão e o deixou invisível.
Trinta minutos depois, já de roupas trocadas, chamou o táxi, desceu as malas e já atrasada, pediu ao motorista que a levasse ao aeroporto do Galeão.
Ele prontamente iniciou o seu trajeto porém, após cinco quarteirões lembrou-se que deixou o seu cartão de crédito sobre a mesa no hotel.
Seria necessário retornar urgente antes que o atraso se tornasse irrecuperável.

¾   Motorista por favor, precisamos voltar pois esqueci o cartão.
¾   Voltar? Tudo bem moça, mas se atrasar não é minha culpa!
¾   Só faz o que estou pedindo por favor.
¾   Sim senhora!
Ele estacionou em frente ao Flat e ela saiu em disparada, nem esperou o elevador, subiu pelas escadas correndo, abriu a porta do seu apartamento e deu de cara com uma presença.
Era o mesmo Ser etéreo que antes ela não conseguira ver. Um homem trajando vestes claras, com uma altura acima do normal, coberto de luz e que mesmo sem mexer os seus lábios, falou claramente.

¾   Saudações irmã!
¾   Saudações! – disse ela sem se incomodar, procurando com os olhos o cartão de crédito.
¾   Seu treinamento teórico acabou. Agora começaremos seu treinamento prático.
¾   Então moço, com todo respeito, eu estou indo para a França e estou atrasada. Mais tarde a gente conversa, obrigada, tchau! – ela pegou o cartão e saiu correndo para voltar ao taxi.

O homem ficou ali parado, observando calmamente aquela pessoa que ele conhecia tão bem. Mas não se abalou, pois sabia que em breve estaria com ela novamente.
Completamente atrasada, pediu ao motorista que acelerasse ao máximo, e assim foi. Não haviam sinais vermelhos que o impedisse de passar, pessoas quase atropeladas e curvas que foram feitas quase em duas rodas. Pareciam estar em um filme de ação, onde a heroína da história era refém do tempo.
Depois de toda essa aventura, ao chegar no aeroporto, o embarque já havia se encerrado, como já era de se esperar. Não adiantou insistir e se estressar, nada mais poderia ser feito.
Ela voltou para o flat arrasada, pois isso jamais havia-lhe acontecido. Estava confusa com o que deveria fazer. Remarcar as passagens, o hotel.  Não conseguia mesmo se conformar com a perda do voo.
Foi assim, em meio a um turbilhão de pensamentos que o sono acabou por tomar conta do seu corpo, fazendo-a dormir profundamente.

De repente em seu sono, se viu no meio do mar, entre os destroços de um avião. Haviam muitas pessoas chorando, outras se agarravam ao que encontravam, gritando e pedindo socorro. Era uma visão desoladora, pois ali todos já estavam mortos, mas suas consciências ainda sem entender o acontecido, desesperavam-se.
Diversos corpos estavam ao mar, enquanto seus corpos etéreos eram resgatados por Seres Iluminados. Não tinham asas de anjos, nem tão pouco usavam túnicas no estilo greco-romano. Eles vestiam uma espécie de macacão prata, parecido com os que a gente vê em filmes de ficção cientifica.
Logo a sua frente um homem estendeu-lhe a mão e ela o reconheceu.

¾   Junte-se a nós! – Disse aquele que há algumas horas estivera na sua sala. – Ela sem titubear se integrou ao grupo.

Foi uma longa noite onde todos os que estavam naquele avião foram resgatados um a um. A maioria estava em estado de choque, e poucos eram os que se sentiam tranquilos. Ela foi se aproximando e acalmando os que estavam em maior estado de choque.
O grupo de ajuda era formado por umas 50 pessoas, sendo que alguns atuavam como coordenadores do trabalho. Aos poucos todos foram direcionados para os meios de transportes disponíveis ali.
Haviam tubos formados por uma luz azulada que tinha um efeito de transporte. Os que estavam mais assustados e chorosos entravam num ônibus, e recebiam um tratamento que os acalmava imediatamente. Dentro desse ônibus havia uma espécie de névoa calmante, que depois lhe disseram ser “Águas Crísticas”. Essas águas são geradas pela energia crístalina, que é a mesma emanada pelo Universo, trazendo a todos equilíbrio e tranquilidade.
Os que estavam mais calmos e aparentemente tinham consciência do ocorrido, iam direto através do tubo de luz, que era um transporte muito rápido.
Para onde estavam sendo levados? Perguntou-se mentalmente.
Ao final dos trabalhos de resgate, Hermes veio se apresentar oficialmente a Mohabi.

¾   Sou Hermes, disse ele mentalmente. Ouvi quando perguntou para onde estávamos levando essas pessoas e vou responder-te.
¾   Me ouviu? Mas eu apenas pensei!
¾   Mohabi, nesse plano não precisamos emitir sons para nos comunicar, basta pensar.
Você está sendo chamada ao trabalho, e eu Sou um dos seus mentores.
¾   Olha, desculpe se eu fui mal educada com você hoje à tarde. Mas agora eu entendi. Você é um dos meus mentores. Muito prazer!
¾   Nós teremos muito tempo juntos daqui por diante. Esses seres que viu há pouco estão sendo encaminhados para o que vocês chamam de colônias ou hospitais, onde serão recebidos com muito amor e carinho. Lá eles terão a oportunidade de se recuperar dessa passagem, e a partir daí, dar continuidade a suas evoluções.
¾   Então todas as pessoas que morrem são encaminhadas. Sempre ouvi falar de seres que ficam vagando. Isso existe mesmo?
¾   Infelizmente sim. Muitas pessoas são apegadas a matéria, são elas as que mais sofrem. Muitas ficam presas em bolhas atemporais.
¾   Como assim, bolhas atemporais?
¾   Essas pessoas ficam presas em sua última vida, ou no exato momento de seu desencarne, muitas vezes por séculos.
Mas outros vão para os hospitais que ficam em regiões umbralinas, pois algumas almas precisam aumentar seu gradiente energético antes de serem encaminhados para as naves ou colônias.
¾   Naves? Que naves?
¾   Algumas colônias espirituais são na verdade, naves espaciais criadas artificialmente com todos os ambientes necessários para gerar o conforto e estabilidade. Estas naves estão em 5D e 6D ou seja, estão na quinta ou sexta dimensão e são etéreas.
Já está mais do que na hora de vocês terráqueos saberem de toda a verdade. Por isso, a Terra entrou num programa evolucionário, e estamos lidando com tantos resgates coletivos.
Após essa encarnação, cada um de vocês, terrícolas serão direcionados de acordo com as suas ondas vibracionais. Estamos em um ciclo de 26.000 anos que está terminando, por isso temos pouco tempo.
Há um empenho muito grande de toda comunidade interplanetária em ajudar no despertar de todos.
¾   E os que não conseguirem esse despertar?
¾   Todos terão sua oportunidade.  Os que não conseguirem serão direcionados para locais de acordo com as suas vibrações, como sempre foi. Só que que alguns não encarnarão mais na Terra. Para essas pessoas já está preparado outro planeta, que atualmente se encontra num período mais primitivo.
¾   As pessoas são difíceis as vezes. Eu ouço tanto falar em despertar, em nova era, e o mundo tem se apresentado cada vez mais violento.
¾   Eu não discordo de você, tudo tem sido muito difícil porque essa limpeza acontece entre os encarnados e desencarnados que ocupam as esferas sombrias ligadas à Terra.
Existe uma hierarquia muito grande nas áreas mais baixas do planeta. Eles sabem e sentem a evolução energética, e obviamente batalhas são travadas diariamente, entre esses seres e nossas Federações Estelares.
Agora você precisa voltar!
Cuide-se, evoque sempre o seu Tubo de Luz!

Na manhã seguinte Mohabi acordou com o celular tocando, e ao telefone, sua mãe desesperada dava graças a Deus por sua filha estar viva.
O voo que a levaria a Paris tinha sumido nos radares no oceano Atlântico. Porém, passadas algumas horas, os destroços do avião foram localizados e infelizmente não haviam sobreviventes. Era o dia 02 de junho de 2009.
Um sentimento de gratidão cresceu dentro de seu coração e era indescritível. Ela agradeceu por sua vida, pelo atraso, pelo alerta e então lembrou do sonho.

¾   Então agora estou fazendo parte de um grupo de resgate? – perguntou para si mesma.
Por muitos dias Mohabi pensou em tudo que lhe foi dito, e uma coisa martelava na sua mente.

Será essa sua missão?

Trabalhar na redação de um dos maiores jornais de São Paulo, se tornara um sonho completamente realizado. Por muitos anos foi maravilhoso o ambiente barulhento, a loucura, as pautas emergenciais, as viagens.
Atualmente ao olhar para tudo isso, apesar de se sentir grata, já não tinha o mesmo entusiasmo de antes.
Mesmo assim, além dos amigos que fizera ao longo de quase 10 anos de trabalho e convivência, Mohabi sabia que sentiria falta de muitas outras coisas.
Recorda-se do processo seletivo e toda a sua ansiedade. Era final de dezembro de 2004 e havia acabado de se formar. Estava cheia de ideias e expectativas, como todo recém-formado.
Lembra-se que teve que produzir um texto jornalístico e escreveu sobre o ‘tsunami’ que dois dias antes tinha devastado os países do Sudoeste Asiático. Ao todo morreram quase 250 mil pessoas. Foi uma grande tragédia.

Mudou rapidamente o seu pensamento e reviu toda a sua trajetória. Em um ano ela tornou-se editora e logo depois editora chefe. Um crescimento rápido que incitou o descontentamento de uns e a inveja de outros. Aos poucos foi conquistando a todos com o seu otimismo e habilidade para contornar diversas situações.
Poucas eram as pessoas com as quais compartilhava a sua verdadeira amizade, mas sempre criou um ambiente sustentável. Bem humorada e divertida, buscava a integração das pessoas a sua volta, e assim tornou-se querida pela maioria.
Após esses anos todos ela sairia da redação, e sua nova jornada estava voltada a outra formação, pois ao longo de alguns anos o universo apresentou-lhe oportunidades surpreendentes.
A felicidade está muito presente na vida das pessoas que conseguem se ocupar das coisas que realmente gostam.
Estava se despedindo da redação para se dedicar a trabalhos de cura quântica e a um novo livro. Suas malas já estavam prontas para uma viagem à Europa, onde faria algumas palestras sobre “O Despertar da Consciência.” Também queria fazer muitas fotos e estudar cenários para uma nova história.
Tudo já estava planejado, e como sempre ela se antecipou. Passagens compradas, hotéis reservados, roteiros e pronto. A viagem dos seus sonhos logo ali ao seu alcance.
A Europa era novidade, pois já percorrera as Américas do Sul e Central dos Incas, Maias e Astecas procurando aventuras e boas fotos. Tudo era visto com muito misticismo e curiosidade em relação a essas civilizações antigas. Agora iria visitar a Europa em busca de cidades medievais. Tudo isso fazia parte dessa curiosidade incessante por conhecimento, além de um desejo quase que incontrolável de seguir o seu coração.
Mas quem a via entre tantas viagens, nem sequer imaginava o seu imenso medo de avião. Só de pensar se sentia tensa.
Quando pensava nisso, a sua mente automaticamente a levava para a ocasião em que ia para Paris em 2009.
Já se passaram quatro anos.

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