quinta-feira, 17 de maio de 2018

A Última Escolhida - Prólogo


Prólogo

Após uma noite extremamente cansativa no comando da Frota Invisível, a Comandante Nisht pensou que iria descansar um pouco. Tranquilamente pousou sua nave na quadra B21, como era seu costume pois, ali estava a alguns metros de sua residência.
A PL45 era uma nave pequena, arredondada com 25 m². Dotada da mais alta tecnologia e preparada para as árduas tarefas de exploração, nos diversos planetas existentes.

Ao sair da nave, seu anel que na verdade era um rádio transmissor, vibrou em seu dedo e ela entendeu. Precisava voltar à nave para poder receber a mensagem de forma segura.

De volta à PL45, ela aceitou a mensagem dando um toque no anel de ouro com pedra vermelha. A imagem holográfica do Almirante da Frota surgiu em sua frente.

¾  Saudações Almirante Kairob.
¾ Saudações Comandante. Precisamos de você agora no setor 1 da Base Central Móvel. Teremos uma reunião emergencial com a Liga dos 21.
¾ Sim Senhor, já estou a caminho. A reunião será aqui mesmo em Sirius?
¾ Sim. Venha para a Base Móvel, pois os líderes se materializarão em alguns minutos.

Ao dar essa informação, a comunicação foi finalizada pelo Almirante. Imediatamente ela ligou sua nave através do reconhecimento de sua íris, e em questão de segundos já estava em uma altura e velocidades consideráveis. Para sua segurança, ela acionou o sistema de invisibilidade, tecnologia possível apenas para os membros do Grupo Secreto, dentro do Alto Escalão da Frota Alpha de Sirius.

No caminho enquanto navegava, seus pensamentos se voltaram novamente para a atual situação de insegurança e violência que tomou conta das órbitas entre Rígel e o Cinturão de Orion.
Lhe doía muito a lembrança de Planetas e pessoas de diversas raças sendo destruídos em grande escala. A cada ataque, uma nova arma mais poderosa era criada. Assim se estabeleceu uma imensa corrida por conhecimento, onde as engenharias bélicas e genéticas foram as mais priorizadas.

A presença da Liga dos 21 nesta reunião, trazia em seu coração a esperança de novas diretrizes e possíveis mudanças, em um cenário há muito desgastado e aparentemente sem solução.

Ao longe pôde avistar a Base Central Móvel, pois ela possuía 2.100 mil quilômetros de extensão. Em seu interior haviam vários setores e ambientes. Nisht era responsável por toda área de comunicação interplanetária. Todas as informações eram validadas por sua equipe e direcionadas à central Marte102, para distribuição aos outros Planetas.

Quando sua nave se aproximou da base, um sistema de liberação foi acionado, e automaticamente uma escotilha gigantesca foi aberta para recepcioná-la.
O setor 1 era o local destinado às principais reuniões. Ali era possível acessar outras Federações e assim, os Comandantes de diversos níveis, caso estivessem ausentes poderiam participar holograficamente. Também era possível acionar os registros de qualquer acontecimento a qualquer tempo. Bastava escolher o assunto, a data e o local. O conteúdo escolhido poderia ser visto em uma enorme tela.

A Liga dos 21 era formada pelos anciões que faziam parte da classe dos Lords. São filhos diretos da Fonte Suprema Multidimensional. São os Criadores Universais, e fazem parte do Conselho Federal Principal. Autoridades máximas em todos os Universos, estando abaixo apenas da Fonte Criadora Suprema.
As Confederações são formadas apenas por Lords. Esses seres, não precisam de naves para se movimentarem pelo Universo, pois somente a eles são disponibilizadas tecnologias avançadíssimas de tele transporte. Eles transformam facilmente sua energia, materializando-a em qualquer local. São responsáveis pela manutenção da Paz, o Amor e o desenvolvimento das Raças em todos os Universos, bem como pela criação de novos mundos.

Além deles, estão presentes para a reunião os dirigentes da Cúpula de Cristal, o Conselho Regional Siriano, Arcturiano, Pleiadeano, Centauriano, as principais Federações e Confederações, além da Supra Confederação.

Todos estavam reunidos ao redor de uma grande mesa metálica.  A frente desta mesa, estava demarcado em alguns níveis acima do solo, o local onde A Liga dos 21 iria se materializar.

O Chanceler Yuri Kadoni, um confederado de primeiro nível efetuou a abertura do evento.
¾   Saudações meus irmãos. – todos responderam apreensivos, pois estavam ansiosos com o que viria a seguir. Ele continuou.
¾   Os Mestres da Liga dos 21 desejam nos comunicar uma importante decisão. Eles estarão aqui em alguns segundos.

Tão logo ele terminou esta frase, os 21 Mestres se materializaram no local indicado, e todos os presentes se levantaram em sinal de respeito.
A materialização desses Seres envolvia uma imensa energia mental. Os Mestres, quando estavam representando a Liga, se materializavam juntos. Isso gerava uma onda muito grande de calor e luminosidade no ambiente. 

¾   Saudações a todos! Podem se sentar, seremos breves e objetivos.
¾   Temos visto ao longo desses anos, o grande número de baixas de ambos os lados desta guerra que parece não ter fim. Durante esse período, diversas táticas de guerra foram utilizadas e novas armas foram criadas. Isso devido ao grande poder tecnológico de ambos os lados. Porém, a utilização de armas nucleares de última geração com poder de destruição tão devastador é perigoso, e coloca toda a via láctea em risco. 
¾  Nossa interferência nesse momento se faz necessária e urgente, pois temos a responsabilidade de manter a ordem entre todos neste Universo.
¾  Por isso resolvemos intervir nesse conflito, e a partir desse momento está decretado o cessar fogo.  – declarou o mestre Yan.

Quem continuou foi o Mestre Lam. Ele abriu uma tela holográfica e mostrou aos demais um mapa do Universo de Nebadon com áreas demarcadas.

¾  Essas áreas demarcadas ao norte e ao sul foram divididas entre os grupos em conflito. Toda essa parte ao centro, será denominada de área neutra e portanto desmilitarizada.
¾  Esta decisão é irrevogável, inegociável e deverá ser acatada a partir deste exato momento.
¾ Os líderes das Federações devem apresentar a todos seus projetos de reestruturação ainda hoje.
¾  Desejamos que fiquem em Paz.

 Eles se despediram, e foram embora.

Muitos se sentiram aliviados com as diretrizes. Os líderes das Federações de Satã, que acompanhavam a reunião remotamente, ficaram visivelmente irritados. Já que em sua concepção poderiam facilmente ganhar a guerra, pois sua força bélica era bastante superior à das outras Federações, que jamais foram preparados para conflitos armados.

Ao final das diretrizes a Comandante Nisht, pessoalmente contatou o sistema central de comunicação interplanetária, que ficava em Marte, para que fosse divulgado o cessar fogo, bem como as delimitações da Zona Neutra para os demais Planetas e Estrelas.
As orientações foram obedecidas imediatamente.

Quando ela retornou a Sirius, as diretrizes Federais já estavam concluídas e ela foi incumbida de efetuar a divulgação conforme o protocolo.

“Todos os cidadãos serão reavaliados. Aqueles que não estiverem com o gradual energético mínimo exigido, serão convidados a se retirarem pacificamente aos planetas liberados.
Todos os que não se sentirem confortáveis com as novas regras, também poderão se retirar a esses planetas desde que pacificamente.
Os planetas liberados para habitação, não terão a interferência da Federação em nenhum setor.
A reintegração desses seres, será possível apenas após novas avaliações de gradual energético, adequados as religiões estabelecidas por cada Federação.
Os que se rebelarem ou não cumprirem com as diretrizes, poderão ser julgados e condenados a morte em nível 3, que é a morte de todos os corpos sutis.
A comunicação holográfica está restrita para todos. Liberada apenas a partir da patente de Comandante.
A exploração de novos planetas está suspensa temporariamente, bem como novas pesquisas para colonizações.
Os estudos e projetos científicos serão passíveis de autorização e monitoração constante.
Os clones criados para participar da guerra que agora finda, terão suas memórias apagadas e serão enviados ao processo encarnacional, incorporados aos planetas em fase de colonização.
Para os que entrarem no processo encarnacional dentro do Império Siriano, o Sistema de Castas será mantido.
O trânsito entre os planetas está permitido apenas mediante autorização prévia.
Os oficiais da Frota Estelar só poderão violar os limites da Zona Neutra, se tal ação for extremamente necessária, preferencialmente para salvar.
Nenhum membro das Federações recorrerão sem razão, ou autorização ao uso da força. A menos que um oficial no comando verifique a representação de ameaça aos membros ou cidadãos das Federações.
Todas as ações serão passíveis de auditoria.”

As novas diretrizes geraram enorme descontentamento em alguns grupos. Muitos optaram pela experiência de habitar novos planetas, que em sua maioria eram bem jovens, e foram liberados recentemente para moradia.
Outros já não desejavam mais encarnar nos termos do Império, pois a possibilidade de ascensão era muito demorada, e na divisão de castas a classe social era mantida em todas as encarnações.

Ao retornar para sua residência, Nisht foi surpreendida pela Comandante Celik, responsável pelo Comando de Aranits.

¾  Queria conversar com você.
¾  Pela sua cara deve ser algo sério. Venha, vamos entrar.

Ela abriu a porta através do chip magnético implantado em sua mão, logo abaixo do polegar. Celik entrou, sentou confortavelmente na sala e aguardou Nisht sentar para lhe perguntar.

¾  O que você achou das novas diretrizes?
¾  Rigorosas demais minha amiga. Rigorosas demais.
¾ Você participou de várias explorações. Esses novos planetas, como são? Há vida nesses locais?
¾  Todas essas explorações foram secretas. Eu não posso comentar sobre esses novos mundos.
¾  Você não confia em mim Nisht? Nós somos amigas e eu estou querendo ir embora, mas não será permitida migrações. Teremos que escolher aqui e o planeta de destino, será definitivo.
¾  Com quem você já falou sobre isso? Quem mais você conhece que quer partir?
¾  Praticamente todos do meu grupo. – Essa notícia deixou Nisht apreensiva. Ela perguntou preocupada.
¾   Vocês sabem que serão considerados rebeldes, não sabem?
¾   Mas foi dito que se saíssemos em paz não teríamos problemas.
¾   Não é bem assim!

Ela ficou em silêncio e intimamente perguntou a si mesma se deveria ou não contar a amiga tudo que sabia. Então, dando um voto de confiança, ela revelou.

¾  Todos vocês serão considerados rebeldes e terão que devolver suas armas e insígnias. Além disso, não terão a liberdade de irem a lugar algum. Todos os rebelados serão mortos e suas almas serão enviadas ao limbo do sistema L62 como presidiários.  Sua única opção de sair daqui com vida é fugindo.
¾   Eles estão mentindo para nós! Qual o paralelo de tempo nos outros planetas?
¾   Um ano na nossa Constelação equivale a 26.000 anos nos planetas disponíveis. A vida nesses planetas é extremamente primitiva, formada por répteis, seres aquáticos, dragões ... não há muito oxigênio nesses locais.
¾  A taxa de oxigênio é a mesma em todos os planetas?
¾ As taxas variam de 25 a 35%. A melhor taxa é no Planeta Terra, mas lá ... não sei. Esse planeta é usado para projetos experimentais. No momento há algumas áreas habitadas pelos seres que já falei, e por Hominídeos, que são bem primitivos, mas muito sensíveis.
¾  Esses hominídeos não são aqueles afetados pela radiação das bombas de quarks?
¾  Sim, de fato a aparência que os sobreviventes tem hoje, é uma das sequelas deixadas pelas guerras que ocorreram entre alguns povos que já viveram por lá. É lastimável!
¾  Eu sei também que os Nibiruanos estão com alguns projetos para extração de minérios e além disso, desenvolvendo uma nova raça que terá apenas duas hélices de DNA.
¾  Mas com apenas duas hélices eles não tem a mínima condição de evolução! – Disse Celik demonstrando surpresa.
¾  Realmente essa é a intenção dos cientistas de Nibiru. Criar uma raça na Terra facilmente dominável para que sem questionamento, sirvam aos seus propósitos.
¾  Venha conosco Nisht!
¾  Não! Não vou abandonar meu comando.
¾  Você é apenas um número para eles. Assim como todos nós.

Nisht demonstrou tristeza, olhou para a amiga e as duas se levantaram.

¾  Não quer mesmo vir conosco?

Ela ficou em silencio e apenas disse.

¾  Boa Sorte!
¾  Adeus Nisht!

Já do lado de fora da porta, as duas se abraçaram e se despediram fazendo com as mãos um gesto, relembrando as brincadeiras de infância.

Nish entrou e tomou um longo banho. Depois comeu alguns legumes e se deitou, mas não houve como deixar de pensar na conversa que teve com a amiga Celik.
Seu sono foi agitado e no meio da madrugada, um ruído do lado de fora de sua casa lhe chamou atenção.

Ela se levantou rapidamente, sem fazer barulho, e de forma estratégica pegou suas armas.
Sem saber, sua casa estava totalmente cercada pelo EDEI - Esquadrão de Defesa Especial Intergaláctico. Esse esquadrão era formado por CROTS, que são veículos aéreos não tripulados e controlados remotamente. Podiam realizar inúmeras tarefas pois eram fortemente armados. Toda a residência estava cercada por eles.
Do lado de fora, o chefe desta ação falou através do comunicador.

¾ Comandante Nisht, temos uma ordem de prisão expedida contra você. Entregue-se agora pacificamente.

No interior da casa ela escutou a comunicação, mas não entendeu. Ordem de prisão, mas do que se trata isso? Perguntou a si mesma.

¾ Comandante Nisht, eu repito.  Temos uma ordem de prisão expedida contra você. Entregue-se agora pacificamente.

Ela abriu a porta lentamente, e saiu com as mãos para cima. As luzes dos CROTS formaram um intenso clarão que ofuscou sua visão. Em seguida, ela sentiu quando eles acionaram um comando e suas mãos e pés foram paralisados automaticamente. A voz do comandante soou em seus ouvidos como um trovão.

¾  Comandante Nisht você está detida sob a acusação de traição, e será julgada de acordo com as leis do Império Siriano.

Nesse instante seu corpo ficou totalmente inerte, e ela entrou em estado de sono profundo, acordando alguns dias depois, poucas horas antes de seu julgamento.

¾  Comandante, você sabe do que está sendo acusada?
¾  Sim.
¾  Você nega que tenha revelado informações confidenciais aos rebelados?
¾  Não.
¾  Sendo assim, este tribunal considera a ré culpada da acusação de traição. Deverá entregar suas armas e insígnias. Por se tratar de um membro dos serviços especiais, você não receberá a pena de morte, mas será exilada por tempo indeterminado. O Planeta escolhido para o seu exílio é a Terra.
¾  Declaro encerrada esta sessão.

Nisht sentiu seu corpo todo pesar como se fosse feito de chumbo. Ela caiu de joelhos, deixando a tristeza dominar todo o seu ser. Então, suas lágrimas tomaram conta de seu rosto e ela chorou silenciosamente, pois sabia que não poderia mudar seu destino.

A partida
Não era com facilidade que encarava tal situação. Apesar de já ter participado de programas de colonização em diversos planetas, sabia que seria bem difícil fazer isso sem o apoio de uma equipe. Além do mais, a Terra estava na verdade se preparando para o início de sua colonização. Os seres mais resistentes a ambientes inóspitos já estavam por lá há algum tempo.
Sua mente agora viajava nas possibilidades de se adaptar ao lugar que seria seu novo planeta, por tempo indeterminado.
Um misto de medo e ansiedade gritavam e ocupavam todo o espaço da pequena cela onde ela estava. O sentimento de tristeza e a raiva eram inevitáveis.

¾ Maldita seja Celik, maldita seja Celik. – Repetiu a mesma frase centenas ou milhares de vezes.

Estava assim, sentada na beirada de sua cama, quando recebeu uma mensagem em sua mente.

¾   Eu sei que não poderíamos nos comunicar, mas você é como uma filha para mim.
¾   Mestre Thot! – respondeu ela mentalmente.
¾   Sinto muito que estejas nessa situação dolorosa, mas saibas que mesmo a distância estarei sempre desejando o seu bem. Não poderei interferir em nada nesse primeiro momento, mas quem sabe depois de um certo período, quando as coisas se acalmarem.
¾   Ah Almirante, prefiro não manter esperanças, mas muito me alegra saber que posso contar com sua compreensão.
¾   Nós ainda nos encontraremos. Fique certa disso!
¾   Adeus!

Aquela mensagem havia sido um grande alento ao seu coração.
O mestre Thot, foi responsável por toda sua educação e treinamento desde sua infância. Hoje ele era um grande Almirante Estelar, responsável por diversos projetos ligados a magia e ascensão em vários planetas.

¾   Prisioneira, sua nave está pronta. Queira me acompanhar, por favor! – disse um dos soldados ao entrar em sua cela. Retirando-a violentamente de suas lembranças.
Ela levantou e acompanhou o soldado até o pátio B, onde se deparou com uma nave que já estava programada para efetuar a rota Sirius – Terra.

Ao entrar na nave para verificação, um kit de sobrevivência foi apresentado a ela, e lhe foi esclarecido que esta seria a única viagem longa deste veículo. Ao chegar na Terra, seria possível fazer apenas pequenas viagens pelo planeta, mas por um breve período de tempo, pois logo a nave se desintegrará gradativa e automaticamente.
Ciente de suas limitações, ela sentou no banco do veículo, respirou fundo e acionou os controles que a levariam à sua nova vida.

A Terra dos Dragões
Ela tinha sete anos quando iniciou seu treinamento com o mestre Thot. Lembrava com carinho de todos os ensinamentos recebidos e naquele momento delicado, uma lembrança muito especial veio a sua mente.

¾   Não se perca pensando nas dificuldades dos seus projetos, minha criança. Mantenha o foco nas soluções. Se você se concentrar somente nas dificuldades, seu padrão energético cairá e a consequência disso é o bloqueio das suas energias e poderes mentais. Quando você mantem o foco nas soluções, você permanece equilibrado e o resultado, é o acesso a todos os bancos de informações disponíveis no Universo. Então a solução chegará até você sem que você nem perceba.
Aquele ensinamento tornou-se seu guia por toda vida.  Ao pousar na Terra sua mente estava voltada para a busca de soluções. Não ficaria chorando pelos cantos relembrando o passado. Já havia estado ali antes e isso para ela era uma vantagem.
Tudo já estava se formando em sua mente então, logo que pousou em seu novo planeta, colocou seu plano em ação.
Sabia que sua nave teria uma vida útil bem pequena, então não perdeu tempo. Fez seu voo de reconhecimento, na intenção de localizar o local exato habitado pelos Dragões da Luz, que faziam parte do principal projeto que preparava a Terra para ser colonizada.
Quando ela chegou ao Vale dos Dragões, o que viu foi inacreditável. O lugar era todo arborizado com árvores enormes. Parecia uma pintura feita a mão, cortada por um rio de águas inesquecivelmente azuis.
Naquela região povoada por eles, o índice de oxigênio era melhor. O projeto dos Dragões na Terra se resumia em dois pontos. Primeiro criar uma raça draconiana da Luz, pois até então esses seres vibravam de forma racional e violenta. Com isso, melhorar a energia vibracional do planeta para poder recepcionar os seres que viriam habitá-lo daqui a alguns anos terráqueos.
Ao fundo do vale havia uma grande montanha, e era de uma enorme fenda que saiam e entravam os diversos Dragões que viviam ali.

¾   Como são lindos! – pensou ela.

Eles eram seres gigantes, e conseguiam uma interação incrível com todo ambiente. Podiam andar normalmente pela terra, mergulhar nas águas, voar e ainda cuspir fogo, quando se sentiam ameaçados por alguma coisa.
Além disso, tinham um enorme poder mental. Também se camuflavam, o que era simplesmente incrível pois pareciam invisíveis quando faziam isso.
Não haviam primitivos naquelas redondezas. Obviamente sentiam medo daqueles seres enormes.
Seria necessária uma aproximação. Sabia que eles não ofereceriam perigo então, colocou seu plano em andamento. Se aproximou ao máximo da montanha, e para chegar ao topo ela acionou os mecanismos de voo de seu traje.
Ficou ali no topo da montanha, escondida até anoitecer.
Quando a noite chegou, o momento certo para que ela se mostrasse se fez ideal, então ela assim prosseguiu.
No alto da montanha, se posicionou a alguns metros do chão e mentalmente acionou as luzes do seu macacão, chamando a atenção de todos os Dragões. Seu coração acelerado, cheio de confiança lhe dizia que daria tudo certo. Então fechou os olhos e esperou.

¾   Se eu tiver que morrer certamente será agora! - pensou ela.

Eles se aproximaram lentamente, sentindo seu cheiro e observando suas vestes luminosas. Quando ela abriu seus olhos, deu de cara com os enormes olhos de um dos Dragões que mais tarde veio saber que se tratava de Dragon, o líder.
Lentamente ela desceu ao chão e lhes enviou mensagens mentais. Foram sentimentos amistosos e amáveis, que foram perfeitamente entendidos por aqueles animais.
Aos poucos ela foi ganhando a confiança de todos e assim, começou a fazer parte da família dos Dragões, recebendo toda a proteção daqueles seres tão especiais.
Após algum tempo vivendo harmoniosamente ao lados deles, resolveu colocar a segunda parte de seu plano em ação, mas para isso precisava encontrar e mapear os locais habitados pelos hominídeos.
Com a ajuda dos Dragões ela localizou diversas tribos, e logo se mostrou aos primitivos.
Com sua roupa luminosa, sobrevoou o local chamando a atenção de todos. Devagar foi descendo e se aproximou daquele povo, que logo de início já a tratou com respeito, pois além de ser consideravelmente alta, se comparada com eles, ela sabia vinha do céu.
Aos poucos, apesar das limitações daquele ambiente, foi ensinando a eles muitas coisas que conhecia.
Ensinou a identificar plantas para utilização de remédios e alimentação, criou ferramentas para pesca e ajudou-os na descoberta do fogo, na navegação e agricultura.
Ela percorria toda a região voando sobre Dragon, que se tornou seu melhor amigo. Pousava nas tribos, o que causava grande alvoroço, mas o imenso medo que eles tinham dos Dragões, deu lugar ao respeito.
Assim a segunda parte de seu plano foi colocada em prática. Ela se transformou para eles, na grande Deusa Mãe dos Dragões.

Algumas centenas de anos se passaram e o sucesso de suas ações na Terra foi tão grande, que chegou ao conhecimento dos Federados de Sirius. O que gerou o estudo de viabilidade para um novo projeto em prol da melhoria das raças e do próprio planeta.
Tratava-se da vinda de vários comandantes interestelares que, seriam grandes professores na Terra. Mas ainda não era esse o momento.
Nessa época, os Nibiruanos estabeleceram aqui, suas bases de pesquisas genéticas e de extração de minérios.

A Ascensão dos Dragões
Ao longo dos anos, o projeto dos Dragões na Terra alcançou com sucesso o objetivo determinado pelos seus idealizadores. A presença de Nisht, foi considerada de grande valia, aos olhos de toda Federação, pois sem saber, ela havia sido monitorada todo o tempo.
Em uma das salas da base móvel, uma reunião foi conduzida pelo Chanceler Yuri Kadoni.

¾   Não há mais necessidade de mantê-los na Terra. Todos os Dragões pertencentes a esse projeto deverão perder seus corpos físicos e se tornarem etéreos. Dessa forma poderão continuar com sua ajuda não somente na própria Terra, mas também em outros mundos. Eles estão prontos para ascensionar.
¾   Chanceler, e quanto a Comandante Nisht? Mesmo perdendo suas patentes, e estando em exílio, ela foi especial para o desenvolvimento de todos dali. – disse o Almirante Kairob.
¾   Sim. Estamos cientes de seu desempenho. Traga-a de volta. Aqui ela será reavaliada e então veremos o que fazer.

Enquanto isso na Terra, os Dragões sabem que estão partindo aos poucos. A missão está chegando ao fim e todos estão conscientes disso. Mentalmente Dragon conversa com Nisht.

¾   Eu escolhi ser o último a deixar este planeta. Estou feliz por termos conseguido nosso objetivo, apesar de tantas dificuldades. Agora deixaremos aqui nossos corpos físicos para reencarnarmos na oitava dimensão.
¾   De lá vocês terão melhores oportunidades para continuar a ajudar a Terra e também outros planetas.
¾   Sim, nós amamos a Terra e queremos continuar ajudando em tudo que for possível, mas estou preocupado com você Nisht. O que fará aqui sozinha?
¾   Não sei Dragon, mas sinto que meu tempo aqui também está terminando.

Os dois deitaram e ela adormeceu sobre as asas de Dragon. Mas nessa mesma noite eles foram surpreendidos por alguns visitantes.

¾   Uma nave Siriana!! O que será que eles querem aqui? – pensou ela enquanto observava a nave pousar no Vale dos Dragões.

Imediatamente Dragon se posicionou a seu lado, oferecendo-lhe sua proteção.
Tratava-se de uma nave pequena, com 100 metros de diâmetro. Foi possível perceber que a tecnologia havia melhorado, mas a insígnia das frotas de Sirius continuava a mesma, e brilhava a sua frente. Ela pairou no ar diante de todos e pousou lentamente.
Quando a porta da nave se abriu, dois homens saíram e rapidamente se apresentaram.

¾   Saudações Comandante Nisht. Nós somos da frota Alpha de Sirius.
¾   Há mais de 400 anos terrenos já não sou uma comandante de Sirius. O que querem aqui no Vale dos Dragões?
¾   Nossos irmãos Sirianos desejam vê-la. Viemos buscá-la para uma audiência.
¾   Eu não tenho irmãos Sirianos e estou muito bem aqui com minha família. Nada mais me interessa em Sirius.
¾   Nós temos ordens para não sairmos daqui sem você.

Ao ouvir isso Dragon abriu suas enormes asas para em seguida, fecha-las ao redor de Nisht, protegendo-a. Os outros Dragões cercaram a nave e os comandantes Sirianos desarmados, ficaram apreensivos.

¾   Não estamos aqui para criar conflitos. Trata-se apenas de uma audiência e não de uma prisão. Você tem a admiração de muitos em Sirius, todos acompanhamos sua preocupação e carinho com os primitivos.
Nossa missão aqui é de Paz!

Nisht sentiu que estavam falando a verdade. Ela se voltou para conversar com Dragon e tomou sua decisão.
Era um momento de despedida, pois ela sentia que não mais os veria. Pelo menos não na forma física. Então, ela se equilibrou em pé sobre o dorso de Dragon e todos os outros, um a um, vieram encostar seu focinho em suas mãos se despedindo.
Quando ela desceu, Dragon abaixou e ela abraçou sua cabeça.

¾   A Terra me deixou emotiva Dragon, eu não era assim. – disse ela rindo entre a emoção e o choro.

      Uma grande lágrima também desceu dos olhos de Dragon.

¾   Nós ainda nos reencontraremos!

Ao entrar na nave Siriana foi impossível não se lembrar da sua PL45. Seus olhos brilharam e por um breve momento, seu coração sentiu saudade dos velhos tempos. Seus olhos se encheram de lágrimas novamente, mas ao perceber que estava sendo observada ela rapidamente se recompôs.
Já conhecia todos os procedimentos, então os seguiu sem hesitar. Entrou na cápsula dinâmica e fez a higienização corporal necessária. Em seguida, colocando a palma de sua mão no local marcado em uma caixa prateada, um novo uniforme foi materializado.
Quando ela o pegou, mais uma vez o saudosismo penetrou em seu coração. Lembrou-se de seus tempos como Comandante da Frota Invisível. Ao abri-lo pôde ver que era exatamente igual ao antigo porém, obviamente sem as insígnias.
A viagem foi mais rápida do que ela podia se lembrar. Novas tecnologias foram desenvolvidas, e isso foi perceptível a seus olhos.
Aquela nave interagia com seus navegantes, respondendo a seus comandos mentais. Além disso, sua velocidade era algo inacreditável. Duas horas foram suficientes para chegar em Sirius.
A nave pousou no pátio principal, e ela foi conduzida à Cúpula de Cristal para uma reunião.
No caminho olhares vinham de todos os lados. Todos paravam para ver aquela que apesar de exilada, se tornara a Deusa dos Dragões na Terra. Ajudando a todos e garantindo o sucesso daquele projeto tão importante. Então, antes que ela entrasse na Cúpula, todos a aplaudiram longamente.
Ela se virou tímida, e olhou aquela pequena multidão emocionada. De fato não esperava tamanha recepção.
Agradeceu a todos com um gesto feito com a cabeça, e seguiu. 
Na sala, ela encontrou seus antigos líderes, os quais cumprimentou com respeito.

¾     Saudações.
¾     Seja bem vinda. Sente-se! – disse o Almirante Kairob.
¾     Obrigada.
¾    Você já deve saber que estava sendo monitorada por todos esses anos. Nós ficamos surpresos com sua atitude na Terra e acompanhamos cada um dos seus passos. Você ganhou a confiança dos Dragões a ponto de ser tratada como um membro da família. Depois acompanhou todo processo junto aos humanos primitivos, auxiliando-os em seu dia a dia. Foi muito nobre da sua parte.
¾   Eu apenas desejei garantir minha sobrevivência Almirante.
¾   Não foi somente isso. Durante todo o tempo você vibrou amorosamente e apesar de estar lidando com seres primitivos, você os respeitou sem exigir nada em troca. A Deusa dos Dragões!
¾  É natural que chamem de Deuses aqueles que lhes parecem ser superiores, vindos do céu e consequentemente mais sábios, mais experientes.
¾  Os Dragões vão deixar a Terra em breve, e nós gostaríamos muito de poder contar com você em outros projetos aqui em Sirius. É claro que não poderemos lhe devolver suas insígnias, mas você não precisará mais viver na Terra.
¾   A Terra não é tão ruim assim Almirante. Eu aprendi a gostar de lá.
¾  A Terra passará por alguns processos devido à recente guerra nuclear entre os Atlantis e os Lemurianos.
¾   Guerra? Do que o Senhor está falando?
¾   Esses dois povos já não se entendem há algum tempo e soubemos que novamente utilizarão de armas atômicas. Nós retiramos você de lá algumas horas antes dos ataques se iniciarem.
¾   Com isso o Senhor deseja dizer que salvou minha vida. – afirmou ela visivelmente irritada.
¾  Nisht, ouça. Mesmo o seu corpo sendo geneticamente avançado, ele não resistiria às radiações das armas nucleares. Nós não queríamos perdê-la mais uma vez.
¾   E os Dragões? O que aconteceu com eles? – perguntou ela em tom de preocupação.
¾ Eles já estavam cientes da ascensão, você sabe disso. Foram todos direcionados para dimensões mais evoluídas. Isso já estava previsto. E fique tranquila pois eles nada sofreram. A alma deles foi retirada antes das radiações os alcançarem.
¾  Então, quem está na Terra agora?
¾ Ainda Atlantes e Lemurianos nessa área. E um pouco mais distante desses conflitos os Nibiruanos com suas bases.
¾   Não confio neles. – disse ela pensativa.
¾   Eu também não! – Confessou o Almirante, surpreendendo-a.

Ambos ficaram em silêncio, pensativos em relação ao futuro da Terra. Foi quando ela se levantou e afirmou veementemente.

¾   Eu quero voltar para a Terra, mas quero voltar encarnada.
¾   Encarnada? É muita coragem da sua parte. Isso de fato não me surpreende, mas é preciso estar ciente dos riscos. Você sabe que obrigatoriamente perderá sua memória, não sabe?
¾   Eu quero correr o risco.
¾   Você não precisa fazer isso para provar seu valor Nisht. Todos aqui a conhecemos, e o Almirante Thot deixou recomendações a seu respeito.
¾   Eu quero ajudar no desenvolvimento da Terra e dos terrícolas.

O almirante respirou fundo e continuou.

¾   Se é assim, vou mandar preparar os mecanismos para assegurar a preservação do seu corpo atual em criogenia.
Você sabe, o seu corpo verdadeiro ficará aqui congelado, e nós projetamos um outro corpo clonado para você viver sua experiência.
Você nascerá criança, sem as suas memórias, mas terá sua sabedoria espiritual preservada.
¾   E eu deverei manter a Chama Trina da minha alma acesa para ter possibilidade de retornar ao meu corpo original.
¾   Se algo acontecer e a sua Chama Trina se apagar, nós a perderemos em nossos sistemas, e tudo poderá ficar bem mais complicado.
¾   Eu entendi. Cuidarei para que isso não aconteça.
Por favor, pode dar início aos procedimentos.

A Última Escolhida - Capítulo I